quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Jovem religiosa defende o uso público do hábito desafiando a Cristofobia


Oblata de São Francisco de Sales dando aula em Paris,
de hábito completo

A Irmã Ana Verônica, oblata de São Francisco de Sales em Paris, foi convocada juntamente com vários outros professores de Filosofia ao Liceu Carnot, da capital francesa. O objetivo da reunião era combinar a correção de muitas provas da matéria que tinham ficado sem corrigir no fim do ano escolar.

Ela se apresentou como de costume: com o hábito completo do instituto religioso a que pertence.

Sua presença foi pretexto para um rebuliço. Professores laicistas e socialistas exigiram das autoridades do Liceu a expulsão da religiosa. Pretextavam que ela ofendia a laicidade e, de forma caricata e ofensiva, compararam seu hábito com o véu islâmico.

As autoridades nada fizeram, pois sabiam que o procedimento da religiosa era irrepreensível do ponto de vista legal.

Os professores laicistas exigiram que ela tirasse o hábito. “V. poderia ser mais discreta!”, desabafou uma professora laicista.

Propaganda cristofóbica caricata não adiantou
- “Eu não posso fazer melhor nem pior. Eu devo levá-lo”, respondeu a jovem religiosa.

Os jornais fizeram estardalhaço com o fato e o secretariado geral do ensino católico exigiu que a irmã Ana Verônica desse prova de “juízo” e comparecesse usando roupas civis.

Com tom sereno e respeitoso, mas firme, a freira respondeu a seus detratores em carta publicada pelo jornal parisiense “La Croix”, de 13-07-2011:

Nós repetimos claramente que jamais tiraremos nosso hábito. ...

“Um hábito religioso é o sinal da resposta a um chamado para se consagrar a Deus, que nem todos os batizados recebem.

“Desde 8 de setembro de 2004, data de minha entrada na vida religiosa, minha vida mudou muito e o hábito não é mais que a expressão visível disso.

“Comparecer agora de outra maneira, sem o hábito religioso, é uma coisa impossível para mim, pois eu não uso mais outros vestidos que não sejam os de minha consagração religiosa.

“Eu não sou religiosa por horas.

“Fazemos a profissão para viver seguindo Cristo até a morte.

“Esta consagração religiosa inclui todas as dimensões de nosso ser: corpo, coração, alma e espírito.

“O jovem homem rico do Evangelho recuou diante do apelo de Jesus para segui-Lo, quando Ele posou seu olhar sobre ele.

Religiosas em procissão na Polônia
“Isso significa que a decisão de se consagrar a Deus não é fácil de tomar. Ela pressupõe certas renúncias...

O hábito religioso é sinal desse fato. Ele pode, portanto, ser um sinal de contradição. Nós sabemos que nosso hábito não deixa indiferentes as pessoas. Ele é um testemunho da presença de Deus.

Por meio dele nós relembramos, de modo silencioso mas eloqüente, que Deus existe neste mundo que se obstina a não querer pensar nem sequer na possibilidade da transcendência divina.

“Mas, Jesus nós diz no Evangelho que o servidor não é maior que seu mestre. Vós conheceis a continuação? “Se eles me perseguiram, eles vos perseguirão também” (Jn 15, 20).

E Jesus acrescentou: “As pessoas vos tratarão assim por causa de Mim, porque eles não conhecem Aquele que me enviou” (Jn 15, 21).

A carta da corajosa irmã Ana Verônica causa viva impressão na França.

No Brasil, o PNDH-3 pretende banir os símbolos religiosos dos locais públicos e instalar um laicismo – na realidade, um anti-catolicismo mal disfarçado – como o francês. Para atingir sua finalidade extremada, não poderá deixar de tentar proibir as próprias vestes talares dos religiosos e das religiosas.

sábado, 30 de julho de 2011

Vivei sempre contentes

“Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias daí graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus, em Cristo Jesus.” I Tess 5, 16-18.

O Papa Paulo VI, na sua encíclica sobre a alegria cristã, disse que o nosso tempo multiplicou as ocasiões de prazeres, mas não é capaz de gerar alegria, pois a verdadeira alegria é serena.

É muito oportuno meditarmos sobre suas palavras. Temos buscado essa alegria cheia de ruído e de prazeres para os sentidos que o mundo nos oferece, ou temos buscado encontrar a verdadeira alegria que vem de um coração que confia em Deus e se alegra pela sua salvação e por isso recebe essa alegria profunda e serena que é fruto do Espírito Santo?

Em tudo o que nos acontece, nos momentos bons e nos momentos difíceis, devemos fazer uma digestão dos acontecimentos, filtrar tudo no amor a Deus e ao próximo, colher tudo o que a vida nos oferece, colher alegria, colher sofrimento, colher a dificuldade e transformar em amor, para daí sim, poder colher a alegria que vem de Deus.

A alegria nunca vem de fora, mas vem, de dentro. No meio da dor, do sofrimento devemos cavar a alegria que está dentro de nós, a alegria que é fruto do amor, fruto do Espírito, pois “A esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Rm 5,5

Em tudo o que nos acontece, portanto, devemos pedir: “Espírito Santo, me ajuda a amar nesta situação!” É amando e fazendo o bem, confiando em Deus e esperando nas suas promessas que a alegria vai brotando de dentro de nós.

A alegria como virtude é um esforço, um exercício que vem da presença de Deus em nós. Se eu abraço a minha dor para transformar em amor para os outros, para transformar em sorrisos para os outros, a minha dor vai sendo mitigada. Às vezes, o Senhor faz um processo formativo conosco, permitindo que soframos e passemos por dificuldades, mas não podemos esquecer: “Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” Rm 8,28

O amor de Deus coloca tudo no seu lugar. Uma vez ouvi uma frase de Dom Alberto Taveira que nunca esqueci. Ele disse: “O Senhor une todos os acontecimentos da nossa vida para transformar em história de salvação.”

Cultivar a tristeza, a amargura é pecado, porque a pessoa fica egoísta, toda voltada para si mesma. São Francisco tinha a seguinte oração: “Senhor, tu que és alegria, eu te peço perdão por ter deixado habitar na tua casa a filha dileta do demônio que é a tristeza.”

A moção para nós, portanto, é cultivar a alegria, sairmos de nós mesmos, olhar para o Senhor e acolhermos com amor tudo o que nos acontece, pois nada acontece na nossa vida sem que Deus o permita, Ele é Senhor de tudo, se permite que coisas aconteçam na nossa vida é porque faz parte da nossa história de salvação.

Maria Beatriz Spier Vargas
Secretária-geral do Conselho Nacional da RCCBRASIL

Os discípulos do amanhã

A grande maioria das pessoas que frequenta a Igreja aspira, pretende e se identifica como discípulo de Jesus Cristo. E é muito bom que assim o seja. É muito bom que cada pessoa na Igreja tenha no coração este desejo de querer aprender da vida de Jesus, de ser continuamente instruído em Sua doutrina, de “frequentar” a escola de tão Divino Mestre. Mas Jesus não quer apenas “discípulos”. Jesus não nos quer “eternamente” alunos, como simples aprendizes de um ofício que nunca exercitamos, nunca assumimos e para o qual estamos sempre sendo treinados...

Não. A Igreja está por demais povoada de “discípulos do amanhã”, que sempre que convidados a assumir uma tarefa mais séria, uma atividade mais comprometedora com a Boa Nova, pondo em risco e oferecendo ao desgaste a própria vida pela causa do Reino, recusam-se, alegando não estar ainda “preparados” para tal serviço, não ter ainda “condições” de se doar como o trabalho em questão exige. Preferem continuar “discípulos”, apenas. Preferem continuar tendo “ótimas ideias” e “planos impressionantes”, mas... para os outros executarem! E passam a vida “se preparando”, deliciando-se com os ensinamentos recebidos de outrem, às vezes criticando quem trabalha, contestando isso e aquilo, para, quem sabe, num amanhã que nunca chegará, oferecer ao Senhor os “restos” de suas vidas egoístas e medrosas...

João Paulo II, em sua Exortação Apostólica Catechesi Tradendae nos chamava a atenção para o fato de que uma das missões do Espírito Santo é exatamente a de transformar aquele que é discípulo em testemunha de Jesus Cristo (CT 72). Ou seja, depois de testemunhar Jesus em nós e nos tornar discípulos, o Espírito quer que nós mesmos testemunhemos a Jesus, trabalhando por manifestá-lo a outros que não O conhecem (Jo 15,26-27). E não precisamos nos sentir “despreparados” ou incapacitados. A capacitação para testemunhar a Jesus vem do Espírito, e não de nosso “muito tempo” na escola da fé. Pois esta foi a promessa feita por Jesus a um grupo especial de discípulos: “... Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força e sereis minhas testemunhas (...) até os confins do mundo” (At 1,8). De maneira que todo aquele que, na Igreja, não dá testemunho de sua fé em Cristo, precisa se perguntar discípulo de quem realmente é... e se, na verdade, está se deixando habitar e conduzir por Seu Espírito. Porque a consequência de quem busca viver na plenitude do Espírito é dar testemunho de Jesus...

Na Audiência Geral de 24 de maio de 1989, em Roma, o hoje beato João Paulo II nos ensinava: “A ação do Espírito Santo é a de dar testemunho! E uma ação interior, tri-imanente, nos corações dos discípulos, que então se tornam capazes de dar testemunho de Cristo eternamente... Ao testemunhar Cristo, o Paráclito é um assíduo Advogado e Defensor da Obra de Salvação e de todos aqueles que estão engajados nesta Obra”. Seu predecessor – Paulo VI – na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (n.75), já enfatizava: “”. Não poucas pessoas são motivadas, atualmente, a ansiar por uma renovada efusão do Espírito Santo em suas vidas. Querem “o poder do alto”, prometido (cf. At 1,5-8). Mas nem sempre se mostram dispostas a estender a visão a respeito dessa força recebida para além do exterior aspecto glorioso que a pode acompanhar, e usá-la para aquele propósito primeiro indicado por Jesus Cristo de sermos, por causa dela, suas destemidas testemunhas (cf. At 1,8), capazes de por Ele correr riscos, fazer sacrifícios e suportar afrontas... Falando aos jovens na Jornada Mundial de Sidney, na Austrália (20/07/2008), momentos antes da cerimônia do Crisma, o papa Bento XVI se perguntava (e respondia!): “Que significa receber o ‘selo’ do Espírito Santo?... Significa ficar indelevelmente marcados, significa ser novas criaturas. Para aqueles que receberam este dom, nada mais pode ser como antes. Ser “batizados” no Espírito significa ser incendiados pelo amor de Deus, “beber” do Espírito (cf. 1 Cor 12,13) significa ser refrescado pela beleza do Plano de Deus sobre nós e o mundo, e tornar-se por sua vez uma fonte de frescor para os outros. Ser ‘selados com o Espírito’ significa além disso não ter medo de defender Cristo, deixando que a verdade do Evangelho permeie a nossa maneira de ver, pensar e agir, enquanto trabalhamos para o triunfo da civilização do amor...”

Jesus era ainda um simples menino quando seus pais O encontraram – em meio aos doutores da lei – trabalhando pela causa do Reino, junto ao templo de Jerusalém. Perguntado por que fazia aquilo, naquelas circunstâncias, respondeu: “Acaso não sabíeis que devo me ocupar das coisas de meu Pai?” (Lc 2,41-52). Se é que temos o mesmo Pai a que se refere Jesus, a hora de ocuparmo-nos de Sua obra é hoje, é agora! Aliás, colaborar efetivamente com as obras que buscam promover a glória de Deus e testemunhar a Jesus é a condição para que Ele também um dia dê testemunho a nosso favor diante do Pai que está nos céus (Mt 10,32-33). Amém!

Por Reinaldo Beserra dos Reis – Assessor para as Comunidades da RCCBRASIL
Grupo de Oração Elena Guerra

Vaticano publica importante documento sobre a confissão


VATICANO, 13 Jul. 11 / 03:21 pm (ACI/EWTN Noticias) O Vaticano acaba de publicar o documento "O sacerdote, confessor e diretor espiritual: Ministro da misericórdia divina", um manual de instruções sobre como ser bons confessores, elaborado pela Congregação para o Clero.

O texto leva as assinaturas do Prefeito do dicastério, Cardeal Mauro Piacenza e o secretário, Dom Celso Morga, que fizeram votos para que "os sacerdotes possam descobrir de novo o valor pastoral destes meios simples, muito comuns, que parece que não têm força pastoral mas que são muito potentes se sabemos administrar bem e se valorizarmos o estar disponíveis para administrá-los".

A primeira parte do texto explica no que consiste o sacramento da Penitência e dá indicações práticas sobre como administrá-lo e recebê-lo melhor. Por exemplo, inclui um exame de consciência só para sacerdotes.

"Que os sacerdotes sejam muito disponíveis para as confissões e a direção espiritual e que ao mesmo tempo, eles, também eu, confessemo-nos freqüentemente e tenhamos a direção espiritual", disse Dom. Morga.

A segunda metade do texto explica a doutrina sobre a direção espiritual, ensina a ajudar a outras almas, e como deixar-se ajudar por um diretor espiritual.

Bento XVI está decidido a dar ele mesmo o exemplo sobre o valor do sacramento da confissão e a direção espiritual. Ele o fará com um gesto bastante expressivo: este verão se sentará em um confessionário durante a Jornada Mundial da Juventude de Madrid e administrará este Sacramento a vários jovens.

"É necessário voltar ao confessionário, como lugar no qual celebrar o sacramento da reconciliação, mas também como lugar onde " habitar " com mais frequência, para que o fi el possa encontrar misericórdia, conselho e conforto, sentir-se amado e compreendido por Deus e experimentar a presença da Misericórdia Divina, ao lado da Presença real na Eucaristia".

Com estas palavras, o Santo Padre Bento XVI se dirigia durante o recente Ano sacerdotal aos confessores, indicando a todos e cada um a importância e a conseguinte urgência apostólica de redescobrir o Sacramento da Reconciliação, tanto na qualidade de penitentes, como na qualidade de ministros.

O texto completo em português pode ser visto ou baixado na página da Congregação para o Clero:
http://www.clerus.org/clerus/dati/2011-05/20-13/Sussidio_per_Confessori_pt.pdf

Não vos canseis de praticar o bem



SÃO PAULO, quarta-feira, 13 de julho de 2011 (ZENIT.org) - Diversas podem ser as expressões de religião e religiosidade: o rito, mediante o qual se dirige a Deus a adoração, louvor, ação de graças e súplica; a obediência a Deus, mediante a qual se procura viver conforme a vontade de Deus. Ou ainda o rito mágico, mediante o qual se tenta "capturar" ou apossar-se da potência divina, para sujeitá-la ao desejo e à vontade do homem.

Sem aceitar a magia, por ser considerada desrespeitosa em relação a Deus, nossa fé tem muitas e ricas expressões de vida cristã e eclesial. Não pode a fé ser apenas um "fato intelectual"; ela precisa expressar-se na vida, de muitas maneiras: nos ritos e atitudes de adoração, louvor, agradecimento, súplica e pedido de perdão, na acolhida dos dons de Deus. Não pode faltar a prática das boas obras, como expressão da obediência a Deus; nem podemos deixar de lado o exercício da ascese, para corrigir o que está errado em nossa vida, ou a prática das virtudes, como busca da perfeição evangélica, segundo "aquilo que aprendemos de Cristo".

Na "Oração do dia", do 15º Domingo do tempo comum, celebrado no dia 10 passado, pedimos a Deus a graça de "rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome". Essa bela prece indica a dupla dimensão do viver cristão: a superação dos vícios e de tudo aquilo que contradiz a dignidade de filhos de Deus, recebida no Batismo e, por outro lado, o esforço para o viver coerente com a condição nova de cristãos.

São João diz que é preciso "viver como filhos da luz"; e São Paulo recorda, de diversas maneiras, que é preciso abandonar aquilo que é do "homem velho", para viver como "homens novos"; ou ainda, que devemos viver segundo o Espírito, abandonando as obras da carne"; e que a perfeição do novo modo de viver cristão é a caridade, na qual se expressa a perfeição da vida cristã.

O mesmo São Paulo, na Carta aos Gálatas, enfrenta vários problemas vividos naquela comunidade e os exorta a viverem com coerência a vida cristã. É uma carta franca e vigorosa, marcada pelo zelo do apóstolo, que não quer ver os fiéis desviarem-se do caminho de Cristo. Já perto da conclusão da carta, Paulo convida a "carregar os fardos uns dos outros, para cumprir a lei de Cristo" (cf 6,2); por certo, ele recorda que Jesus carregou na cruz, por amor a nós, nossos pesos... E convida, como a resumir todo o esforço da vida cristã: "não esmoreçamos na prática do bem, pois no devido tempo colheremos os frutos, se não desanimarmos".

Dom Julio Akamine, novo bispo auxiliar de São Paulo ordenado no sábado, dia 9 de julho, escolheu este expressivo lema episcopal: "bonum facientes infatigabiles" - "sede incansáveis na prática do bem" (Gl 6,9). Em outra passagem, Paulo repete mais uma vez: "não vos canseis de fazer o bem" (2Ts 3,13). O cristão deve ser operoso e incansável na prática do bem, sem nunca ceder à tentação do desânimo. O papa Bento 16, há alguns dias, recordou também outra exortação de São Paulo: "detestai o mal e apegai-vos ao bem" (Rm 12,9). Nada de compactuar com o mal. O próprio Jesus nos ensinou a pedir, no Pai Nosso, que Deus nos livre do mal. O cristão não deve aliar-se jamais ao mal, nem ser agente do mal. Seria trágico!

A Palavra de Deus desse mesmo domingo ainda nos ensinou que Deus espera de nós os frutos da sua Palavra, que veio ao mundo e foi dada a conhecer aos homens, como semeadura abundante: "saiu o semeador a semear" (cf Mt 13). A semente é boa e capaz de produzir; mas o terreno, que somos nós, pode ser duro, cheio de pedras, de pouca profundidade, tomado de espinhos e mato; e pode ser bom, bem preparado e acolhedor para a semente. Somente esse último terreno produz frutos.

No entanto, Deus semeia, esperando que todos os terrenos produzam fruto, como nos recorda o profeta Isaías: "como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem antes ter irrigado a terra, feito germinar a semente e produzir o fruto, assim a palavra que sai de minha boca não voltará vazia para mim, sem ter produzido os efeitos que pretendi, ao enviá-la" (cf Is 55, 10-11).

O viver cristão não é um crer estéril, sem frutos, mas um crer operoso e frutífero. Não bastam boas palavras e intenções que, porém, nunca se traduzem em comportamentos coerentes, em obediência a Deus e vida digna, conforme a altíssima vocação cristã: ser filhos do Pai celeste! Portanto, irmãos, não nos cansemos de praticar o bem!

Publicado em O SÃO PAULO, edição de 12/07/2011

Cardeal D. Odilo Pedro Scherer é arcebispo de São Paulo

Expectativas ilusórias: "casamento" gay e fidelidade


14 de julho de 2011 (Notícias Pró-Família) - Sem dúvida alguma você já ouviu amigos - até mesmo amigos cristãos - dizerem: "Veja bem, por que é que os gays não deveriam ter o direito de se casar como todas as outras pessoas? Que mal isso fará? Não afetará o casamento, e os ajudará a construir famílias estáveis".
Com certeza, não foi essa forma de raciocínio que alcançou a vitória no estado de Nova Iorque, o qual acabou de legalizar o tão chamado casamento gay.
Mas nada poderia estar mais longe da verdade, conforme esclareceu um recente artigo do jornal [esquerdista] New York Times, intitulado "Married, With Infidelities", (Casado, com infidelidades). O escritor, Mark Oppenheimer, perguntou se "fazemos exigências ilusórias" acerca do casamento. As "exigências ilusórias" sobre as quais ele está falando é a monogamia.

Para obter uma resposta, Oppenheimer recorreu a Dan Savage, um colunista especialista em dar conselhos. Savage é um homem gay "casado" que muitas vezes "xinga a obsessão dos americanos com uma fidelidade rígida". Essas são as palavras de Oppenheimer, não minhas.
De acordo com Savage, embora a monogamia tenha suas "vantagens", não é para todos, pois, diz ele, a monogamia leva ao "tédio, desespero, falta de variedade, morte sexual e rotina".
Por isso, Savage aconselha uma ética mais flexível. De acordo com ele, as "expectativas ilusórias" de fidelidade "destroem mais famílias do que salvam".
Savage pratica o que prega: ele confessa que já teve nove "encontros extraconjugais", os quais ele insiste foram uma "força estabilizadora" em seu tão chamado "casamento".

Obviamente, Oppenheimer gosta de Savage e escreve que "é duro considerar que alguém que pensa como Savage seja uma figura subversiva". Será mesmo? Para mim, ele parece claramente subversivo.
Para os principiantes, toda essa conversa de exigências e expectativas "ilusórias" ignora um fato fundamental: a vasta maioria das pessoas casadas evita a infidelidade. O artigo citou um estudo realizado em 2010 pela Universidade de Chicago que revelou que 14 por cento das esposas e 20 por cento dos maridos confessaram que tinham casos extraconjugais.

Esclarecendo em outras palavras, 86 por cento das mulheres casadas e 80 por cento dos homens casados são fiéis a seus votos de casamento. Isso indica que o problema pode estar nos 14 e 20 por cento, não em nossas expectativas.
Há um grupo, conforme reconhece o artigo, em que a monogamia não é esperada nem praticada: "o considerável grupo de homens gays em parcerias de longo prazo abertas ou [semiabertas]".
Oppenheimer está ciente das implicações para a causa do casamento de mesmo sexo. O que é incrível, ele escreve, é que "não se sabe se os hábitos gays", isto é, a promiscuidade sexual, "sobreviverão ao advento da igualdade gay".
Entretanto, não há absolutamente nada de "mistério" acerca disso. A evidência que Oppenheimer cita e o próprio conselho de Savage deixam muito claro que provavelmente o casamento não mudará os hábitos dos homens gays. Mas, conforme Oppenheimer comenta: Savage acredita que os casais normais aprenderão o exemplo das duplas gays. Por isso, o "casamento gay" inevitavelmente minará todos os casamentos. Essa é uma notícia muito ruim para a nossa sociedade.

Não é de admirar que Oppenheimer confesse que as opiniões e ações de Savage darão "munição para todas as forças. que dizem que seria melhor determos [os casamentos gays] antes que arruínem o que sobrou do [verdadeiro] casamento".
Portanto, na próxima vez que você escutar os amigos questionarem que mal o casamento gay fará, por que não falar do artigo do New York Times - e perguntar-lhes se eles acham que a fidelidade, "renunciando a todos os outros", é uma parte do casamento, famílias estáveis e uma sociedade saudável.

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Papa convida a usar o escapulário


"Sinal particular da união com Jesus e Maria"

CASTEL GANDOLFO, segunda-feira, 18 de julho de 2011 (ZENIT.org) - Bento XVI convidou, neste domingo, a usar o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, como "um sinal particular da união com Jesus e Maria".

O Pontífice recomendou, em polonês, que se use este objeto de tecido, de cor marrom, que se pendura no pescoço, no final do seu encontro com os peregrinos por ocasião do Ângelus.

Não parece coincidência que o Santo Padre tenha dito estas palavras em polonês, pois João Paulo II usava o escapulário desde a sua juventude e via nele um símbolo de "defesa nos perigos, selo de paz e sinal do auxílio de Maria".

As palavras de Bento XVI ressoavam um dia depois da celebração da memória de Nossa Senhora do Carmo, que recorda este gesto de devoção.

"O escapulário é um sinal particular da união com Jesus e Maria - disse. Para aqueles que o usam, constitui um sinal do abandono filial na proteção da Virgem Imaculada. Em nossa batalha contra o mal, que Maria, nossa Mãe, nos cubra com seu manto", concluiu.

Como explica a Ordem dos Carmelitas Descalços no seu site, o escapulário, em sua origem, era um avental que os monges usavam sobre o hábito religioso durante o trabalho manual. Com o tempo, assumiu o significado simbólico de querer carregar a cruz de cada dia, como os verdadeiros seguidores de Jesus.

A própria Ordem esclarece que o escapulário não é "um objeto para uma proteção mágica (um amuleto)", "em uma garantia automática de salvação", "nem uma dispensa para não viver as exigências da vida cristã, muito pelo contrário!".

(Jesús Colina)