quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Comentários sobre a REENCARNAÇÃO

Por Marcos Paulo Teixeira

Agora é moda a mídia colocar a doutrina da reencarnação como uma evolução do pensamento religioso e científico. Não é raro ligarmos a televisão e vermos alguns artistas globais se declararem espíritas. Mas na verdade‚ a maioria não sabem nem do que se trata.

Reencarnação significa a volta da mesma alma humana (espírito) a este mundo‚ e assim esta vai assumindo corpos sucessivos até chegar à “perfeição”. Poderia já agora perguntar: o que é perfeição? Será que isso parece com uma busca de criança que assite Peter Pan em busca da terra do nunca? Mas não vou levar esse texto por esse lado! Vou analisar algumas fundamentações dos espíritas em favor da reencarnação.

A – As desigualdades: os espíritas dizem que o fato de uns nascerem fisicamente perfeitos e ricos‚ ao passo que outros nascerem pobres e/ou fisicamente doentes‚ só poderia ser explicado pelo fato de que vidas anteriores deixassem dívidas para serem pagas nesta vida presente‚ nas quais são baseadas na lei do Karma.

Respondo: Deus é livre pra criar quem Ele queira. O mundo diversificado e cheios de criaturas diferentes é que faz a beleza do universo. Não existe ninguém igual. Um mundo onde todos fossem iguais seria um tédio. Outra coisa‚ quem foi que disse que se precisa de dois braços para ser feliz? Quem foi que disse que só os ricos são felizes? Será que não ter é mais importante que do não ser? Essa teoria esquece que o sofrimento‚ que cada um carrega‚ nos ensina a viver e nos amadurece. Uns mais e outros menos‚ mas as desigualdades sociais catastróficas tem‚ na verdade‚ outra explicação: o egoísmo humano. Certa vez perguntaram para Madre Teresa: “Por que Deus permite que os pobres da África passem fome?”. Ela respondeu: “Por que é que nós permitimos que os pobres da África passem fome‚ já que temos comida suficiente?”. Veja só que bela resposta! O problema da fome e do sofrimento não está ligado à vidas passadas‚ mas sim às decisões que tomamos no presente. A lei do Karma reduz o conceito de Deus ao de um tirano que paga os nossos pecados com a mesma moeda. Como pode alguém dizer que o espiritismo é cristão? No cristianismo‚ Deus é aquele pai que perdoa imediatamente o filho pródigo que volta a casa do Pai. “vou me levantar e irei a meu pai‚ e lhe direi: Meu pai‚ pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Levantou-se‚ pois‚ e foi ter com seu pai. Estava ainda longe‚ quando seu pai o viu e‚ movido de compaixão‚ correu-lhe ao encontro‚ o abraçou e o beijou.” (Lc 15‚ 18-20). Deus não é Hamurabi‚ Ele não nos trata olho-por-olho e dente-por-dente. Pegunto: se o comunismo funcionasse como ficaria as reencarnações?

Outra coisa‚ a justiça só é feita quando o réu sabe o motivo pelo qual está sendo penalizado. Ora‚ ninguém saberia dizer por que hoje está “reencarnado”.

B – As vidas pregressas: Os espíritas alegam que durante um transe hipnótica podemos recordar vidas anteriores.

Respondo: Muitas pessoas‚ em transe hipnótico‚ relatam cenas de vidas anteriores. Ok. Agora vale lembrar que tudo isso são apenas relatos do próprio narrador na vida presente. Ora‚ nós usamos apenas cerca de 12% da nossa consciência psicológica e o restante ficam no nosso inconsciente. Isso sim é fato! Se temos 88% ainda não explorados‚ como saber se‚ durante um transe hipnótico‚ as cenas e imagens que criamos não seriam frutos desse imenso universo que é o inconsciente? Será que é mais lógico dizer que alguém foi rei da Inglaterra no século V do que dizer que pode se tratar de confabulações em estado de transe?

C – Os gênios: Os espíritas alegam que os gênios são espíritos que já se aperfeiçoaram em vidas anteriores.

Respondo: Mais uma afirmação vaga! Quem observa os gênios‚ verifica que eles não nasceram sabendo‚ mas que tiveram sim uma grande facilidade de concentração e apredizagem. Associada a isso acrescento a vontade de aprender. Não seria mais fácil chamar alguém‚ que use 1% a mais do cérebro‚ de gênio‚ do que alegar que são espíritos evoluídos? Se você já assistiu o filme “Mãos talentosas” que conta a história de Ben Carson‚ o mais famoso neurocirurgião pediátrico do mundo‚ vai constatar que ele era um péssimo aluno na escola‚ até um dia resolver dar a volta por cima. Eu duvido que algum espírito tenha dito pra Bem Carson‚ ainda criança: você é um espírito evoluído!

D – A paramnésia (dejavú) – Já aconteceu com você‚ ao passar por um determinado lugar jamais visitado‚ ter a impressão de já ter estado aí? Pois é‚ como já! Os espíritas alegam que isso só pode ser explicado por vidas anteriores. Ou seja‚ na vida anterior‚ você já teria passado por aquele lugar.

Respondo – Há muitas situações que podem provocar tal fenômeno.

1) As vezes a pessoa não esteve conscientemente naquele lugar‚ mas esteve inconscientemente. O inconsciente‚ mesmo de um bebê de colo‚ quarda todas as informações externas dos ambientes que por onde passou. Digo‚ imagine uma criança que foi levada para passear num parque‚ depois de 30 anos‚ ela volta nesse mesmo lugar e certas cenas fogem do inconsciente para o consciente‚ e a pessoa tem a impressão que já esteve ali.

2) As vezes acontece isso quando viajamos para outros países. E agora‚ se eu nunca visitei tal país antes? Existe no cérebro dois tipos de memória‚ uma recente e a outra antiga. Quando você pergunta o telefone de um cliente‚ depois de alguns segundos‚ se você não o anotar‚ já o esquecerá. Porém você não consegue esquecer aquela festa de 15 anos com todos os seus parentes e amigos. Pois bem‚ a primeira chama-se memória curta‚ rápida ou recente e a outra chama-se memória remota ou antiga. A memória recente está a todo instante se refazendo‚ já que muitas informações não precisam ficar quardadas. Quando fatos da memória antiga são perdidos‚ o cérebro procura encontrar uma maneira para preencher o espaço que ficou vazio‚ preenchendo a memória antiga com a recente. Pra ficar mais claro vou dar um exemplo: Imagine você passeando pela primeira vez em Paris, quando você tem a impressão que já passou por aquela rua. O que aconteceu? Aconteceu que algo antigo‚ já guardado na sua memória foi esquecido‚ e imediatamente o cérebro preencheu essa lacuna com a memória recente‚ ou seja‚ a visão da rua naquele momento estava sendo guardado na memória antiga. Daí vem a sensação de dejavú.

3) Pode acontecer de alguém ver fotografias e filmes de determinados lugares e ter a impressão que já passou por ali.

4) Existe também a explicação pela hiperestesia. Há pessoas cujo o inconsciente é capaz de ler o inconsciente de outras pessoas. Ora‚ se eu nunca estive em Paris‚ eu posso ter estado do lado de alguém que já esteve em Paris.

5) Há também a explicação pelas semelhanças. Alguns lugares e objetos são tão semelhantes com outros com que tivemos contato e não prestamos atenção que nos dão a impressão de dejavú.

Enfim‚ existem muitas explicações de cunho cientifico que explique esse fenômeno. A única explicação sem embasamento científica é a reencarnação.

É como diz o ditado: “Se quiseres‚ confia na pata do coelho; mas lembra-te de que ela não deu sorte nem sequer ao coelho.”

Sugiro as seguintes leituras:

Orígenes e a reencarnação: http://marcospauloteixeira.wordpress.com/2008/12/13/origem-e-reencarnacao/

Consulta aos mortos e a psicografia: http://marcospauloteixeira.wordpress.com/2010/04/08/sobre-a-psicografia/

FALTA DE RESPEITO AO CENTRO DA VIDA DOS CATÓLICOS: A MISSA


Por Marcos Paulo Teixeira

A Constituição Federal nos garante o direito a liberdade de religião. A essa liberdade é também assegurada o respeito à qualquer religião professada. O Brasil é um estado laico, não ateu, pois a grande maioria dos brasileiras acredita em Deus. Com essa afirmação quero dizer que, consoante a vigente Constituição Federal, o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a intolerância e o fanatismo.

A maioria do povo brasileiro professa o catolicismo e tem como momento ápice da sua fé a celebração da Santa Missa. Porém não podemos deixar de nos indignar com a ridicularização promovida pelos organizadores e freqüentadores da M.I.S.S.A.(Movimento dos Interessados em Sacudir sua Alma).

O que é o M.I.S.S.A.?

É uma balada que em nada tem com a Igreja Católica. Com frases tipo “é um pecado deixar de ir”, “reze para chegar logo”, “quem disse que ninguém te chama?” e “sábado é dia de missa” ou ainda “cansei da night, agora só vou pra missa”, os organizadores do evento ultrapassa a linha do respeito à maior religião do País.

Veja mais: “O evento é uma balada, por sinal visitada por muitas celebridades, que é um dos aspectos que tem chamado a atenção e tem causado o grande frisson e repercussão do mesmo. Tocam várias bandas regadas por arranjos eletrônicos. O ridículo é que: após as bandas, inicia-se um espetáculo de cores e som eletrônico com o DJ Residente da MISSA (O Papa), Dj Tartaruga, tocando seu set MIXTURADO, bem democrático, sem preconceito de estilos musicais, emocionando o público de várias gerações e sacudindo a alma de todos. O evento ainda conta com mulheres vestidas de freiras recepcionando os convidados e entregando brindes, os famosos anões de anjinho, diabinho e outros personagens surpresa.
Entre todas as ridicularidades, as edições desta balada conta com o PAPArazzo, um fotógrafo vestido de Papa que tira fotos não pousadas, bem ao estilo paparazzo, dos convidados em várias situações e depois as fotos ficam expostas num mural para as pessoas levarem para casa como recordação da MISSA.”

Esse desrespeito ainda não chegou aqui em Teresina, mas se já chegou na sua cidade não deixe de protestar contra essa violação daquilo que, para nós, é o maior e mais importante culto à Nosso Senhor, a Santa Missa.

Pedro, o 1º PAPA

Por Marcos Paulo Teixeira

Os protestantes afirmam que Pedro não poderia ser PAPA porque todos os 12 apóstolos teriam autonomia perante a Igreja e que a obediência era exclusiva à Jesus. Então proponho-me fazer uma viagem bíblica para mostrar o papel de Pedro na liderança dos demais apóstolos.

Que Pedro foi chamado por Jesus para ser um dos doze ninguém pode negar. Ninguém também pode negar que Jesus previu uma longa duração de sua obra. Basta lembrar das paróbolas do joio e do trigo (Mt 13,24-30), dos peixes bons e maus (Mt 13,49), do grão de mostarda (Mt 13,31s) etc. Cristo sabia que iria ser crucificado, morrer e ressuscitar e depois partir para o Pai. Logo, escolheu alguém para dirigir a sua obra em seu nome e com o auxílio do Espírito Santo. Nesse contexto entra a figura de Pedro, o primeiro pai da Igreja.

É fato que no Novo Testamento nenhum apóstolo é citado mais que Pedro. Ele é citado 171 vezes, enquanto o segundo mais citado, João, aparece 46 vezes.

Pedro em diversas ocasiões aparece como uma figura de relevo, sendo aquele que fala pelos apóstolos. Vejamos: “Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: “Quem dizem os homens que eu sou?” Responderam-lhe os discípulos: “João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas.” Então perguntou-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Respondeu Pedro: “Tu és o Cristo”. (Mc 8,27-29) Veja que Jesus pergunta para todos, mas só Pedro responde. Isso acontece inúmeras vezes na bíblia, Pedro é sempre o porta-voz dos apóstolos, aquele que carrega a posição oficial dos doze. Pedro também é aquele que se aproxima de Jesus para tirar as dúvidas, não só as suas, mas dos doze. “Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim?” (Mt 18,21) Veja também é Lc 12,41: “Disse-lhe Pedro: Senhor, propõe esta parábola só a nós, ou também a todos?

Em um dos momentos, que considero, mais marcantes da vida pública de Jesus é o seu discurso sobre o Pão da vida. Faço aqui uma observação importante. Sempre que um judeu prega ou ensina, no final ele diz amém amém, e o povo que escutou se concordar com o que foi dito também diz amém. O fato curioso é que Jesus ao falar do seu corpo já começa dizendo amém amém, ou seja, em verdade em verdade vos digo. Isso é uma maneira de Jesus mostrar que não está contando uma parábola, mas sim falando diretamente. Esse foi o ensinamento de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,67).

Ora, era lógico que as pessoas iriam ficar confusas. Como pode alguém comer a carne e beber o sangue de Jesus? Por isso que muitos dos discípulos de Jesus o abandonaram já aí nesse momento. Confira: “Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza?” (Jo 6 30-61) “Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele” (Jo 6, 66).

Com certeza os apóstolos também não estavam entendendo o que Jesus estava falando e, lógico, guardavam muitas dúvidas em seus corações. Porém, Jesus pergunta para os doze se eles também irão embora: “Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”(Jo 6,67-68)

Pedro mais uma vez responde pelos doze. Ninguém porém vai embora, todos ficaram com a resposta de Pedro. Vai ficando claro que Pedro é quem toma as decisões, mesmo em situações de grande dúvida como nesse episódio.

Um outro fato importante é que quando os evangelistas citam o catálogo dos apóstolos, o nome de Pedro sempre vem em primeiro lugar. “Depois, subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele. Designou doze entre eles para ficar em sua companhia. Ele os enviaria a pregar, com o poder de expulsar os demônios. Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nme de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomou, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador; e Judas Iscariotes, que o entregou.” (Mc 3, 13-19)

Você pode conferir em outras passagens como Mt 10, 1-4; Lc 6,12-16 e At 1,13.

Pedro já estava tão consolidado como o chefe dos apóstolos que Lucas e Marcos usavam termos como “Pedro e os seus”. Veja: “Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham deixado vencer-se pelo sono...” (Lc 9, 32s).

Quando Jesus ressuscitou e deixou o sepulcro vazio, um jovem, vestido de roupas brancas apareceu a Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé e disse: “Não tenhais medo. Buscai Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia.” (Mc 16, 6-7). Vejam meus amigos, que importância tem Pedro para que seu nome seja destacado em relação aos demais? Realmente Pedro tem um chamado mais sublime.

Vejamos agora Jesus selando a escolha de Pedro como chefe da Igreja.

“Disse-lhes Jesus: “E vós quem dizeis que eu sou?’ Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” Jesus então lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16, 15-19)

Vamos agora às observações: Na tradição bíblica, quando Deus muda o nome de alguém é porque o seu novo nome está relacionado à sua missão. Por exemplo Abrão para Abraão, Sarai para Sara, Jacó para Israel. Jesus muda o nome de Simão para PEDRO (Kepha) que significa rocha. Nesse fundamento sólido seria erguida a SUA (do Cristo) IGREJA. Ekklesía em grego significa convocação, assembléia. Em hebraico “qahal” significa povo santo, separado para o serviço do Senhor. Mas o que Jesus traz de novo é que ao invés de falar da Igreja, ele falou da SUA IGREJA. Por que isso? Jesus quis mostrar que, embora a Igreja esteja confiada a Pedro, Ele (Jesus) é centro da obra da Salvação.

Essa Igreja que Cristo entrega à Pedro, é indestrutível. Ou seja, não pode acabar. Jesus prometeu que as portas do Inferno não tem poder para destruí-la.

As chaves significa poderes. Essa entrega de poderes já fora aludida no Antigo Testamento: “Naquele dia chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias. Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá: fixá-lo-ei como prego em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai.” (Is 22,20-22).

Essa passagem de Isaías é emocionante. Assim como a serpente foi levantada no deserto como alusão à Cristo levantado na Cruz, encontramos aqui o pré-anúncio de Mt 16. Eliacim será um pai para os habitantes de Jerusalém assim como Pedro é um pai para os habitantes da Jerusalém celeste.

Sobre o ligar e desligar, essas expressões eram comuns entre os rabinos. Significavam proibir e permitir ou, mais precisamente, declarar algo como verdade (ligar) ou declarar algo como erro (desligar). Dentre os apóstolos, só a Pedro foi outorgado tamanha tarefa. O mais importante é o fato da ligação entre a terra e o céu. O que Pedro ligar na Terra será também ligado no céu. Isso significa que as decisões dogmáticas de Pedro serão transcendentais e confirmadas pelo Senhor Jesus.

Pelo óbvio, Jesus não poderia ligar erro no céu. O céu é perfeito! Logo, o próprio Espírito Santo auxilia de modo direto o Papa nas questões dogmáticas para que não tenha erro. Se entende aqui o dogma da infalibilidade Papal. Veja que não é impacabilidade. O Papa peca porque é homem, mas não erra em questões de fé porque é Papa. Se o Papa falar de política, ciência etc, não está imune ao erro. Para ser mais prático, o Papa é imune ao erro em três situações quando fala nas condições “ex-cathedra”:

1. Quando, na qualidade de Pastor Supremo e Doutor de todos os fiéis, se dirige a toda a Igreja;

2. Quando o objeto de seu ensinamento é a moral, fé ou os costumes;

3. Quando manifesta a vontade de dar decisão dogmática e não simples advertência, instrução de ordem geral.

É importante também dizer que o ordinário universal dos Bipos reunidos com Papa e reiterando a doutrina que sempre fora professada pela Igreja, é infalível.

Agora vamos analisar a seguinte passagem: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.” (Lc 22, 31-32). Aqui Jesus fala da inclinação de Satanás preferencial por Pedro. Mas Cristo roga ao Pai por ele. Até satanás sabe que Pedro é o chefe da Igreja. Jesus porém roga ao Pai e pede que Pedro confirme os seus irmãos na fé.

Analisemos agora a entrega do primado à Pedro: “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?” Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros.” Perguntou-lhe outra vez: “Simão, filho de João, amas-me?” Respondeu-lhe: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo.” Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros.” Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, amas-me?” Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: “amas-me?”, e respondeu-lhe: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo.” Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas.”

Pedro declara seu amor à Jesus e o Senhor entrega a missão de pastorear o seu rebanho. Agora faço aqui uma observação minha. Jesus diz “apascenta os meus cordeiros” duas vezes e depois troca por ovelha. Cordeiro é ele mesmo, ou seja, é o cristo o cordeiro imolado e as ovelhas somos nós, do seu aprisco. Logo, apascenta os meus cordeiros lembra-nos que Pedro também irá pastorear aqueles que agirão “In persona Christi”, ou seja, os sacerdotes. Pedro é chefe do clero e dos leigos (ovelhas)!

Vou parar por aqui, mas teria muitos episódios para comentar que deixarei para um próximo texto como a posição de Pedro no Concílio de Jerusalém, a admissão de Cornélio na Igreja e a divergência entre Pedro e Paulo.

Jesus disse: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo."(Jesus Cristo à sua Igreja). Se ele mandou ensinar é porque deu poder a Igreja para não ensinar erro.

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MARIA TEVE PECADO?

Por Marcos Paulo Teixeira

Este texto tem a finalidade de esclarecer a posição de Maria Santíssima em relação ao pecado e a salvação. Existem muitas afirmações como, por exemplo: se Maria não teve pecado como poderia ter sido salva? Vou responder a essa pergunta, mas antes, comentarei as passagens bíblicas que os protestantes usam para tentar provar que Maria teve pecado. Se o cristianismo fosse unido a tal ponto da Sagrada Tradição não ser motivo de dúvidas para muitos, seria muito mais fácil demonstrar a doutrina da imaculada conceição ao longo dos séculos entre os pais da Igreja, santos e doutores. Mas como no Brasil as pessoas acham que a Bíblia é a única fonte de revelação (esquecendo da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério) vou me deter apenas nas sagradas escrituras.

Vejamos as seguintes passagens:

“com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus...” (Rm 3,23)

“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1,8)

Para um protestante isso basta para ter a “certeza” que Maria teve pecado. Para completar o seu raciocínio ainda usam as palavras de Maria: “meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1,47).

Vamos responder! Primeiramente gostaria de lembrar que essa questão não é nova para Igreja. Durante muitos séculos grandes santos teólogos estudaram a fundo a questão.

A primeira afirmação que faço é que MARIA FOI SALVA POR JESUS. Sim, Maria também precisou de um salvador, porém, a mãe de Deus foi salva de uma maneira diferente. Existe duas maneiras de ver a salvação. A primeira, que é mais comum, é a salvação pelo perdão dos pecados cometidos. A segunda, é a salvação pela preservação dos pecados.

A Bíblia fala disso? Sim! Veja:

“Àquele, que é poderoso para nos preservar de toda queda e nos apresentar diante de sua glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém.” (Judas 1,24)

Se Deus pode tudo, não poderia ele preservar alguém do pecado? Isso também é salvação!

Imaginemos uma situação. Um cego vai atravessar a avenida, mas no momento da travessia um caminhão desgovernado vem em sua direção e, caso a colisão aconteça, ele morrerá. No momento em que cego estava na metade do caminho um jovem empurra o cego para fora da pista salvando sua vida. Outra maneira de salvar o cego seria o jovem ter chegado um pouco antes e não ter permitido que o cego prosseguisse seu caminho naquele momento.

Concordam comigo que as duas maneiras salvariam a vida do cego? Da mesma forma, Maria foi salva por Jesus por preservação do pecado. Também não é coerente pensar que aquela que carregou Jesus por nove meses no seu ventre, estivesse, nem que fosse por alguns segundos, sob o domínio do pecado.

Agora vamos para a explicação das citações:

“com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus...” (Rm 3,23)

Incluir Maria nesse “todos” não seria razoável? Se essa maneira de pensar prevalecer, Jesus também estaria incluído nesta lista, pois o filho de Deus, verdadeiramente se fez homem. Jesus, mesmo sendo Deus, é 100% homem. Ele assumiu a nossa natureza. Porém nenhum cristão aceitaria a hipótese de Jesus ter pecado. Logo, Jesus é uma exceção a Rm 3,23 e 1Jo 1,8.

O próprio São Paulo faz essa exceção: “... Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado.” (Hb 4,15).

Além de Jesus, existem outras exceções? SIM! O problema mais uma vez é de interpretação.

Vamos ler novamente as passagens:

“com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus...” (Rm 3,23)

“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1,8)

Todos pecaram... é verdade!!! Mas de que tipo de pecado as duas passagens estão falando? Do pecado original ou de pecado que cometemos?

O pecado original não é cometido, é uma herança!

João está se referindo aos pecados cometidos, tanto é que a continuação dos versículos ilustram muito bem isso: “Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade. Se pensamos não ter pecado, nós o declaramos mentirosos e a sua palavra não está em nós” (1Jo 1,9- 10). Logo, ninguém confessa o pecado original. Apenas os cometidos!

Então, há exceções a Rm 3,23 e 1Jo 1,8 além de Jesus? Sim... milhões!!!!

O pecado só válido se eu tenho consciência do pecado. Como poderia pecar uma criança de alguns meses que ainda não conhece as leis de Deus?

Vejam que essas passagens não servem para impugnar o dogma da imaculada conceição, pois Rm 3,23 e 1Jo 1,8 trata de um outro tipo de pecado, ou seja o pecado cometido.

Vou agora mostrar que Maria também é uma exceção, assim como Jesus.

“Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.” (Lc 1,28-29).

Na Bíblia, quando Deus vai conferir uma missão especial para alguém o nome é trocado por um outro nome que represente a sua missão. Assim foi com Abraão, que de pai de uma aldeia tornou-se pai de um povo. Assim foi com Simão, que tornou-se Pedro, significando o rochedo que representaria para a Igreja. Saulo que se tornou Paulo, de perseguidor a apóstolo. Enfim, o nome mudado tem um significado muito especial.

Quando o anjo saudou Maria, a chamou de “Ave cheia de graça”. Ninguém em toda a história do povo de Deus teve tamanha importância para ser chamado Ave cheia de graça. Maria é aquela que é CHEIA da graça de Deus! Como poderia ter espaço em seu coração o pecado? Tamanho impacto foi essa visita do anjo que Maria ficou a pensar no que significaria semelhante saudação. Lógico! Imagine Maria se perguntando: Eu sou cheia de graça?

Mas o que teria de importante nesta saudação para perturbar Maria?

Primeiro, como eu disse, não foi uma saudação. Nesse momento o anjo conferiu um novo nome à Maria. Em grego “Kaire, Kekaritomene”.

Na tradição bíblica, quando alguém era saudado com Kaire, um título ou um nome deveria acompanhar imediatamente o termo Kaire. Veja um exemplo: “Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lhe sobre a cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: “Salve, rei dos Judeus!”. E davam-lhe bofetadas.” (Jo 19, 2-3). O nome de Maria agora seria “cheia de graça”.

Kekaritomene significa agraciada de um modo completo. Neste caso, agraciada não significa um termo no passado. Significa um termo que se completou no passado e que resulta num tempo presente. Ou seja, Kakaritomene (que foi agraciada) significa que Maria nasceu na graça e permanece na graça. Maria foi preservada do pecado no seu nascimento e não está sob a ação do pecado em sua vida.

Entenda o que diz Paulo: “Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho e conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.” (Fl 3, 12-14).

Paulo está falando de um estado de graça a qual busca e tem como um alvo. Quando o anjo diz a Maria Kekaritomene (cheia de graça), fez Maria pensar no significaria. Mas o anjo vem lembrar a Maria que ela é CHEIA de graça e, essa mesma graça, Paulo procura constantemente. Maria é cheia da plenitude da graça! Não há espaço para o pecado no coração de Maria!

O tempo verbal usado pelo anjo é perfeito, ou seja, é de caráter permanente! A língua portuguesa é pobre para expressar isso.

Mudando um pouco de foco. A arca da Aliança era o referencial de sagrado para o povo de Deus. Tão pura que era digno de morte se caso alguém se descuidasse no transporte da arca. (Cf 2Sm 6, 1-9). Se Arca da antiga aliança já era considerada santa, como não considerar Maria, a arca que carregou em seu seio não a lei, mas o próprio Deus feito homem?

Em Ex 25, o próprio Deus dá instruções sobre a construção da Arca que deveria ser boa desde a sua construção. Analogamente, a nova Arca (Maria) não poderia ser ruim desde o seu início. Por isso, Maria foi preservada, por Deus, do pecado original que herdamos dos nossos pais, e por méritos do seu filho, ela também não esteve um momento sequer sob o domínio do pecado. Ela não esteve um momento sequer longe do seu filho, em corpo e em alma.

Agora vem a pergunta: Maria é a Arca da Nova Aliança?

Para ser a Arca, Maria teria que preencher três critérios. Ou seja, dentro dela precisaria conter três critérios.

A Arca do antigo testamento continha o Maná, o varão de Araão e os Dez Mandamentos. Será que Maria teve tudo isso dentro de si? Vejamos:

1 – “Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo.” (Jo 6, 32-33). Realmente Maria carregava o verdadeiro Maná dentro de si.

2 – “Portanto, irmãos santos, participantes da vocação que vos destina à herança do céu, considerai o mensageiro e pontífice da fé que professamos, Jesus.” (Hb3,1) Ele é o verdadeiro varão, o sumo sacerdote.

3 – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo1,14). Maria carregou a palavra encarnada em seu seio.

Logo, Maria é A ARCA DA NOVA ALINÇA! Ela preenche o três critérios!

Quando Moisés foi consagrar o tabernáculo aconteceu que: “... a nuvem cobriu a tenda de reunião e a glória do Senhor encheu o tabernáculo.” (Ex 40, 34). Da mesma forma aconteceu com Maria: “..O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra.” (Lc 1,35). Não há como negar que Maria seja a Arca da Nova Aliança!

O Rei David pulou, dançou e se alegrou na presença da Arca: “Davi dançava com todas as forças diante do Senhor, cingido com um efod de linho. O rei e todos os israelitas conduziram a arca do Senhor, soltando gritos de alegria e tocando a trombeta.” (2Sam 6, 14-15). Da mesma forma, quando Maria visitou sua prima Isabel aconteceu algo semelhante: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.” (Lc 1,43-44). João estava dançando diante da Nova Arca, Maria! David fez uma exclamação semelhante: “como pode a Arca do Senhor vir até mim?”

Depois disso, “ficou a arca do Senhor três meses na casa de Obed-Edom de Gat e o Senhor abençoou-o com toda a sua família.” (2Sm 6,11).

Agora compare com “Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.”(Lc 1,56).

Vejamos agora o que diz Paulo: “A Lei, por se apenas a sombra dos bens futuros, não sua expressão real, é de todo impotente para aperfeiçoar aqueles que assistem aos sacrifícios que se renovam indefinidamente cada ano.”(Hb 10,1).

Paulo nos lembra que a antiga aliança é apenas uma sombra dos bens futuros. Logo, é de se esperar que a manifestação de Deus em Maria seja muito superior que a antiga arca. Há uma promessa: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3,15). Há uma promessa de uma nova EVA. E essa promessa se realiza em Maria a nova EVA, agora chamada de AVE. A descendência dessa mulher esmagaria a cabeça da serpente.

Sugiro para a conclusão desse raciocínio o texto QUEM É ESSA TEMÍVEL COMO UM EXÉRCIO EM ORDEM DE BATALHA: http://marcospauloteixeira.wordpress.com/2010/05/02/quem-e-essa-temivel-como-um-exercito-em-ordem-de-batalha/

Se Maria fosse concebida em pecado, ou estivesse sob o domínio do pecado, um segundo sequer, ela seria menor que EVA e Deus não teria cumprido sua promessa em Gn 3,15.

Oh Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos à vós!

CONHECER A CARIDADE DE DEUS

Por Marcos Paulo Teixeira

As virtudes são forças habituais que aparecem na nossa caminhada para que possamos conhecer e realizar os desígnios de Deus em nossas vidas. Comparando a virtude com os dons, gosto de lembrar uma criança com 10 meses de idade que está engatinhando e arrisca os primeiros passos. Quando ela, por forças próprias forças, consegue caminhar sozinha, isto é virtude, porém essa iniciativa só é possível porque já existem alterações metabólicas suficientes no seu organismo que garantem forças para tal ato. Quando porém, a mãe segura sua mão ela caminha com mais facilidade ainda, isto é dom. As virtudes acompanham os cristãos quando estão em estado de graça. Todavia, quando pecamos gravemente, perdemos todas essas preciosidades. A confissão tem a premissa de reconstituir as virtudes que deixamos escapar pelo pecado.

Como sabemos, existem as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e as virtudes cardeais (Prudência, Justiça, Força e temperança). As virtudes teologais nos fazem agir bem em relação à Deus.

A fé é a virtude que nos dá o conhecimento certo de Deus. A caridade é o verdadeiro amor de Deus. Não poderíamos conhecê-lO sem a fé. Não poderíamos experimentá-lO sem a caridade.

A caridade nos faz amar a Deus como ele é, e não como queríamos que ele fosse. Por exemplo, Judas, que entregou o senhor, esperava que Jesus fosse um messias tirano e vingativo, que libertasse Israel das garras do império Romano. Porém, ao perceber que Jesus mandava amar até os inimigos, a decepção foi grande. Outro exemplo foi Pedro, que não queria que Jesus passasse pela cruz, mas no fundo havia uma preocupação também com ele, pois se ele era discípulo do mestre e se o mestre passasse pela cruz, logo logo ele também passaria. Nós somos assim, queremos um Deus ao nosso gosto. Queremos um Deus que resolva todos os nossos problemas e pronto. E os dos outros? Parece que não importa!

A virtude da caridade nos faz amar a Deus da maneira como ele se apresenta para nós, como o servo sofredor de Isaías, como o messias, como o filho do carpinteiro, como um Deus que quis morrer por nós numa cruz, como um Deus que ressuscitou. A caridade nos faz amar a Deus de todo o coração. É a virtude que nos seguir com amor o 1º e 2º mandamentos da lei de Deus.

Quando amamos outra pessoa por caridade, não nos importante com o que ela tem ou o que ela é. Amamos apenas por transbordamento desse amor que está em nós. Amamos de graça! Amamos sem receber nada em troca. Quanto mais amamos, mais satisfazemos a nossa alma. Foi assim que os cristão começaram a ser reconhecidos. “Veja como eles se amam”.

Lembro-me agora de Madre Teresa de Calcutá quando estava limpando feridas de um leproso. Naquele momento um jornalista se aproximou e disse: “Eu não faria isso nem por um milhão de dólares”. Madre Teresa responde: “Nem eu”.

Isso é amor! Isso é caridade cristã!

Veja agora a carta de Paulo aos Efésios: “Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem interior. Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3, 14-20).

Paulo nos fala da necessidade de conhecermos e compreendermos a largura, o comprimento, a altura e a profundidade da caridade de Cristo. Caridade não é apenas dar ajuda a quem precisa. Jesus quando fazia um milagre, sempre se compadecia primeiro. Ou seja, ele partilhava a mesma dor com o sofredor. Quando Paulo disse aos maridos para amar as esposas como Cristo amou a Igreja, estava dada a maior missão da caridade. Como foi que Cristo amou a Igreja? Dando a vida por ela.

Amar é dar ao outro o que ele precisa. Deus nos amou e deu aquilo que precisávamos: A sua vida em sacrifício!

Para manifestar essa caridade em nossas vidas precisamos de alguns pré-requisitos:

1 – Amor por si mesmo.

O amor a Deus compreende o amor por suas obras. Entretanto as que mais se parecem com Deus somos nós. Deus nos fez a sua imagem e semelhança. Então, como podemos provar o amor por nós mesmos? Trabalhando pela nossa salvação. Tendo uma vida de oração, recebendo os sacramentos e cumprindo em TUDO a lei de Deus. Amar por si mesmo também é zelar pelo nosso corpo. Não coloca-lo em perigo e não aderir ao suicídio.

2 – Amor ao próximo

Devemos amar ao próximo em Deus. Porque sem Deus só iríamos escolher apenas algumas pessoas para amar. Quem são nossos próximos? Pai, mãe, irmãos, familiares e conhecidos. Também faz parte desse amor ao próximo manifestar amor aos desconhecidos. Colocamos isso em prática quando damos um copo d´água a um desconhecido, quando damos informações, uma esmola ou uma palavra de consolo.

3 – Devemos evitar os pecados contra a caridade

Devemos evitar todos os pecados mortais, pois eles colocam Deus em segundo plano em nossas vidas e assim não estamos seguindo o 1º mandamento que é Amar a Deus sobre todas as coisas.

Devemos evitar a preguiça espiritual como fraqueza nos atos de amor, desânimo na vida de oração, faltar a Santa Missa e não realizar práticas de mortificações espirituais, como o jejum. Evitar também o indiferentismo religioso, que mesmo sem percebermos manifesta em nossas vidas um ódio contra Deus.

É pela caridade que começamos a realizar pequenas coisas dia após dias, e quando menos se esperar, estaremos realizando grandes coisas sem percebermos.

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.” (São Francisco de Assis)

http://marcospauloteixeira.wordpress.com/

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Transforme sua preocupação em oração




Uma boa maneira de enfrentar uma dificuldade é buscar a oração. A aproximação de Deus nos dá forças para continuar e é justamente isso que a oração faz: nos aproxima de Deus.


Orar é buscar uma amizade com O Criador. Além de recitar as orações que já conhecemos, podemos também conversar abertamente com o Senhor. Buscar nesta conversa abrir o coração sem medo, certos de que Ele vai nos ouvir, certos de que Ele é a única pessoa que realmente nos compreende.


Outro dia o padre disse na homilia: "Transforme sua preocupação em oração. O Senhor pode dividir essa cruz com você". Isso me lembra que Deus quer nossa amizade, quer que nós O busquemos como quem busca um confidente. Então porque não confiar Nele nessas horas de angústia? Porque não orar e transformar essa preocupação em uma conversa sincera com Deus? Ele pode dividir estas cruzes conosco.

domingo, 7 de novembro de 2010

Bento XVI: Deus não exclui ninguém

Intervenção com motivo do Angelus

Apresentamos a intervenção de Bento XVI ao rezar este domingo a oração mariana do Angelus junto a milhares de peregrinos na praça de São Pedro, no Vaticano.

* * *

Queridos irmãos e irmãs,

O evangelista São Lucas presta uma atenção particular ao tema da misericórdia de Jesus. Em sua narração, encontramos alguns episódios que destacam o amor misericordioso de Deus e de Cristo, que afirma que não veio para chamar os justos, mas os pecadores (Cf. Lucas 5,32). Entre as narrativas de Lucas, encontra-se a da conversão de Zaqueu, que a liturgia deste domingo apresenta. Zaqueu é um “publicano”, e mais, o chefe dos publicanos de Jericó, importante cidade no rio Jordão. Os publicanos eram os arrecadadores dos impostos que os judeus deviam pagar ao imperador romano, e por este motivo eram considerados pecadores públicos. Ademais, aproveitavam com frequência sua posição para fazer chantagem e sacar dinheiro das pessoas. Por este motivo, Zaqueu era muito rico, mas depreciado por seus concidadãos. Portanto, quando Jesus, ao atravessar Jericó, deteve-se precisamente na casa de Zaqueu, isso suscitou ume escândalo geral. O Senhor, no entanto, sabia muito bem o que fazia. Por assim dizer, quis arriscar e ganhou a aposta: Zaqueu, profundamente impressionado pela visita de Jesus, decide mudar de vida, e promete restituir o quádruplo do que roubou. “Hoje chegou a salvação a esta casa”, disse Jesus, e conclui: “o Filho do homem veio para buscar a salvar o que estava perdido”.

Deus não exclui ninguém, nem pobres nem ricos. Deus não se deixa condicionar por nossos preconceitos humanos, mas vê em cada um uma alma que há que salvar, e o atraem especialmente aquelas almas que são consideradas perdidas e que assim o creem elas mesmas. Jesus Cristo, encarnação de Deus, demonstrou esta imensa misericórdia, que não tira nada à gravidade do pecado, mas que busca sempre salvar o pecador, oferecer-lhe a possibilidade de resgate, de voltar a começar, de se converter. Em outra passagem do Evangelho, Jesus afirma que é muito difícil para um rico entrar no Reino dos Céus (Cf. Mateus 19, 23). No caso de Zequeu, vemos precisamente que o que parece impossível realiza-se: “Ele entregou sua riqueza e imediatamente ficou substituída pela riqueza do Reino dos Céus”, comenta São Jerônimo (Homilia sobre o Salmo 83, 3). E São Máximo de Turim acrescenta: “As riquezas, para os néscios, são um alimento para a desonestidade; no entanto, para os sábios, são uma ajuda para a virtude; a estes, se lhes oferece uma oportunidade para a salvação, no caso dos outros provoca um tropeço que leva à ruína” (Sermões, 95).

Queridos amigos, Zaqueu acolheu Jesus e se converteu, pois Jesus tinha sido o primeiro a acolhê-lo! Não o havia condenado, mas tinha respondido a seu desejo de salvação. Peçamos à Virgem Maria, modelo perfeito de comunhão com Jesus, que experimentemos a alegria de receber a visita do Filho de Deus, de ficar renovados por seu amor, e transmitir aos demais sua misericórdia.

[Traduzido por ZENIT

©Libreria Editrice Vaticana]