domingo, 11 de abril de 2010

Bento XVI: domingo da misericórdia de Deus


Intervenção durante a oração do “Regina Caeli” de hoje

CASTEL GANDOLFO, domingo, 11 de abril de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, as palavras pronunciadas pelo Papa Bento XVI hoje, antes da oração do Regina Caeli, aos peregrinos reunidos no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, e via televisão aos presentes na Praça de São Pedro.

* * *

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, domingo, termina a Oitava da Páscoa, como um único dia “feito pelo Senhor”, marcado pelo distintivo da Ressurreição e pela alegria dos discípulos ao ver Jesus.

Desde a Antiguidade, este domingo se chama in albis, do nome latino alba, dado pela vestidura branca que os neófitos usavam no Batismo, da noite da Páscoa, e que tiravam depois de 8 dias. O venerável João Paulo II dedicou este mesmo domingo à Divina Misericórdia, por ocasião da canonização de Maria Faustina Kowalska, no dia 30 de abril de 2000.

De misericórdia e de bondade divina é rica a página do evangelho de São João deste domingo (20, 19-31). Nele se narra que Jesus, após a Ressurreição, visitou seus discípulos atravessando as portas fechadas do Cenáculo. Santo Agostinho explica que “as portas fechadas não impediram a entrada desse corpo no qual habitava a divindade. Aquele que, nascendo, havia deixado intacta a virgindade da Mãe, pôde entrar no Cenáculo com as portas fechadas” (In Ioh. 121,4: CCL 36/7, 667); e São Gregório Magno acrescenta que nosso Redentor se apresentou, após a Ressurreição, com um corpo de natureza incorruptível e palpável, mas em um estado de glória (cf. Hom. in Evag., 21,1: CCL 141, 219).

Jesus mostra os sinais da Paixão, até permitindo ao incrédulo Tomé que os tocasse. Como é possível, no entanto, que um discípulo possa duvidar? Na verdade, a condescendência divina nos permite tirar proveito também da incredulidade de Tomé, e não só dos discípulos crentes. De fato, tocando as feridas do Senhor, o discípulo vacilante cura não somente sua própria desconfiança, mas também a nossa.

A visita do Ressuscitado não se limita ao espaço do Cenáculo, mas vai além, para que todos possam receber o dom da paz e da vida com o “Sopro criador”. De fato, em dois momentos, Jesus disse aos discípulos: “A paz esteja convosco”. E acrescentou: “‘Como o Pai me enviou, também eu vos envio.’ E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos’.” Esta é a missão da Igreja, perenemente assistida pelo Paráclito: levar a todos o alegre anúncio, a gozosa realidade do amor misericordioso de Deus, “para que – como diz São João – acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (20,31).

À luz desta palavra, incentivo particularmente todos os pastores a seguirem o exemplo do Santo Cura de Ars, que, no seu tempo, “soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje é urgente igual anúncio e testemunho da verdade do Amor” (Carta de proclamação do Ano Sacerdotal). Dessa forma, tornaremos cada vez mais familiar e próximo Aquele que nossos olhos não viram, mas de cuja infinita misericórdia temos certeza absoluta.

À Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, pedimos que sustente a missão da Igreja e a invocamos exultantes de alegria: Regina Caeli…

[Tradução: Aline Banchieri.

©Libreria Editrice Vaticana]

sábado, 10 de abril de 2010

A CONSULTA AOS MORTOS E A PSICOGRAFIA


Sobre a psicografia e a conversa com os mortos, precisamos ter uma noção de Paranormalidade, que é o comportamento para-normal = ao lado do normal, não doentio ou anormal. São manisfestações da Paranormalidade:

1)Percepção Extra-sensorial : ou percepção por alguma faculdade que não é um dos sentidos como a visão e o paladar. A pessoa pode perceber através de paredes e a grandes distâncias, por exemplo.

2) Telergia :Energia emitida por paranormais, que em conflitos psicológicos(no namoro, nos estudos etc), faz cair quadros,quebra lâmpadas em casas ditas “mal-assombradas infestadas por espíritos do além”, quando a simples solução é retirar o paranormal da residência e dar-lhe assistência psíquica.

3)Telepatia : a pessoa sofre à distância o que outras pessoas padecem.Pedem o nome, a idade e algum outro dado relativo ao paciente;concentram-se nestas informações , e, aos poucos,vão sentindo o que esse paciente sente.

4)Psicografia ou escrita automática : A pessoal paranormal tira do seu inconsciente (7/8 das informações mentais), noções já adquiridas há muito tempo e arquivadas no inconsciente; sob o efeito da sugestão ( Em Psicologia, sugestão* ocorre quando se leva ao subconsciente de alguém uma IDÉIA,que irá abrindo caminho no consciente desse sujeito e poderá tornar-se uma PERSUASÃO OU CONVICÇÃO; no caso : achando que vai receber um espírito do além), põe para fora de si tais noções e as redige rapidamente como se fosse impulsionada por um espírito desencarnado. Na verdade, o fenômeno se explica claramente pela combinação de dois fatores muito importantes, que atuam no psiquismo: A SUGESTÃO E O IMENSO ARQUIVO DO INCONSCIENTE,que armazena palavras e imagens captadas desde a infância,sem que o saibamos.

COMO EXPLICAR A PSICOGRAFIA ?

O movimento não programado da mão do médium com a caneta :

-Automatismo é um ato complexo exercido inconscientemente : o falar e o andar são exemplos. O AUTOMATISMO é PSICOMOTOR quando se deriva de uma idéia, sensação ou imagem existente no psiquismo do sujeito.A Lei de Bain (psicólogo) explica: “Todo ato da consciência determina um movimento, e esse movimento se irradia por todo o corpo e por cada uma de suas partes “. O médium, então, recebe uma notícia mínima, e esta provoca o impulso da escrita automática e todo mecanismo examinado no item 4 acontece.

DE ONDE O PSICÓGRAFO TIRA SUAS IDÉIAS ?

– A existência da percepção extra-sensorial foi comprovada por vários pesquisadores, entre eles JB Rhine. O médium capta as suas mensagens ou no inconsciente das pessoas que o consultam ou em outras fontes ainda mais distantes,exercendo,em todos estes casos, a percepção extrasensorial .

E AS ASSINATURAS DO RECADO, ATRIBUÍDO AO ALÉM ?

-Simples. A sugestão de estar possuído por um espírito do além faz o Eu normal se desdobrar e não reconhecer-se como autor da mensagem. Isso é freqüente em doentes mentais com “nova ou dupla personalidade”. O Eu normal não reconhece a mensagem como sua , procura então um autor para ela dentro da sua cosmovisão ou das suas CONVICÇÕES mais profundas. Dirá que é um guia do além, um caboclo,um santo, um preto velho …

O EXEMPLO MAIS FORTE : CHICO XAVIER.

-É o maior psicógrafo do Brasil . Em transe ( ESTADO DA PESSOA QUE, MESMO ADORMECIDA OU APARENTEMENTE INSENSÍVEL AO QUE A CERCA,SE ACHA EM GRANDE ATIVIDADE MENTAL.ESSA PESSOA é ALTAMENTE SENSÍVEL A SUGESTÕES,que ela mesmo cria(AUTO-SUGESTÃO) ou que lhe vêm de fora (hetero-sugestão))escreve páginas literárias que parecem inspiradas em espíritos desencarnados. Seu inconsciente corresponde à 7/8 do arquivo mental. Ele , auto-sugestionado, confere às escritas à André Luís ou Ramatis. Chico não estudou muito , mas leu bastante, inclusive poesias em espanhol. Só essa fonte, ampliada no inconsciente a através dos processos anteriores mostra, segundo a Psicologia e a Parapsicologia que não há intervenções do além. Em casos de psicografia, pode-se também desenhar ou pintar, mesmo sem nunca ter aprendido a desenhar e pintar, pois são mensagens(imagens) aperfeiçoadas vindas diretamente do inconsciente,através de sugestão e transe.

SOBRE A CONVERSA COM OS MORTOS :

– A Psicofonia é o fenômeno de vozes misteriosas que costumam atribuir ao além, como se os mortos se comunicassem com os vivos mediante linguagem humana. Essas vozes tem características importantes: roucas no princípio , tornando-se pouco a pouco compreensíveis ; aludem umas às outras , se contradizendo; se assemelham a suspiros, gemidos,chiados,dando a impressão de NÃO SEREM ARTICULADAS PELA GARGANTA HUMANA. Essas vozes nunca trouxeram solução para problemas da ciência ou da vida em geral.Parece consolo do Além.

A Parapsicologia diz: A Psicofonia é produto de Ventriloquia ou de linguagem proferida a partir das ENTRANHAS do sujeito.Essa ventriloquia pode ser efetuada por um médium de maneira consciente , tendo então grandes trapaceiros OU de maneira inconsciente,com efeito, quando alguém concebe uma IDÉIA OU IMAGEM QUALQUER, esta tem sua repercussão no cérebro e nos músculos motores da linguagem e da mímica do sujeito. Ora, de acordo com a sensibilidade da pessoa , essa repercussão nos músculos pode chegar a dar origem a uma fonação ou a uma linguagem falada como na psicografia , a linguagem escrita.

SOBRE A INTERVENÇÃO DOS MORTOS SOBRE NÓS:

- Possessão Diabólica existe. Possessão dos Anjos Maus. (Mc 1,34-39;3,11…) Os Espíritos só podem atuar por permissão especial de Deus (onipotente) ou subordinadamente ao sábio plano da Providência de Deus, que em tudo visa à santificação dos homens . Mas nunca acima das nossas forças e quer que tiremos da tentação um proveito (1 Cor 10,13). O Dom das línguas é a graça de orar e louvar a Deus em língua estranha, derivada da ação do Espírito Santo no orante . Deve haver um irmão para interpretar o teor das línguas extraordinárias para a compreensão da assembléia para algum proveito, segundo São Paulo. Não é ataque de espíritos do Além. (1 Cor 14,27; ver também At 10,44-48;19,6)

A BÍBLIA PROÍBE A CONSULTA :

Deut 18,9-14:

“Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador,nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador,nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos, pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao senhor. “

ATESTADO DE UM ESPÍRITA : Charles Richet, no Tratado de Metapsíquica : “…quando as entidades se manifestam cometendo erros e mostrando graves esquecimentos, é impossível supor que seja o espírito do morto que se manifesta…As personalidades dos defuntos se encontram com ridículas afirmações . . . Essa arbitrariedade de afirmações nos manifesta a impossibilidade científica da identificação dos espíritos.Se sobrevivência consiste em ter a inteligência de um desencarnado, prefiro não sobreviver!”(pg 776).

A MENTE , COM O COMBUSTÍVEL DA FÉ (CRENÇA MUITO FORTE) E DA EMOÇÃO, SUGESTIONADA PELA PRÓPRIA PESSOA OU POR OUTRA, FAZ USO DO SUBCONSCIENTE ( 7/8 de toda a nossa memória), CRIANDO SITUAÇÕES, IMAGENS E FENÔMENOS. A MENTE PODE CAPTAR LEMBRANÇAS DE UMA OUTRA PESSOA E, ATRAVÉS DESTAS CAPACIDADES, NOS ENGANA A PONTO DE ACHARMOS QUE OS MORTOS AGEM SOBRE NÓS.

Fonte: www.revistacatolica.com

Jornalismo irresponsável e tendencioso

Por Marcos Paulo Teixeira

Já escrevi aqui a minha posição frente aos casos de pedofilia que acontecem dentro da Igreja Católica. Não vou comentá-la novamente‚ mas quero deixar expresso o meu descontentamento de como a imprensa vem conduzindo o caso de pedofilia por padres. É válido o papel da imprensa na fiscalização do cumprimento da lei‚ mas o que tem se observado na imprensa mundial (BBC‚ New York Times etc...) e na Imprensa brasileira‚ principalmente SBT‚ Band‚ Record e Globo‚ é que não apenas há interesse de mostrar os casos de pedofilia da Igreja‚ mas associá-los à credibilidade dela. É evidente que a intenção não é fim da pedofilia‚ e sim o fim da Igreja.

Nos programas do SBT e da Record sobre o caso‚ é sempre mostrado que a pedofilia é comum em todo o mundo‚ mas na Igreja Católica tem seu maior exponencial. Sempre que falam de bispos que acobertaram os casos de vários padres‚ mostram quase sempre‚ irresponsavelmente‚ a imagem do Papa Bento XVI‚ como forma de pré-julgamento da pessoa e do caráter do atual PAPA.

No Brasil existem mais de 20 mil padres‚ e a sua grande maioria honram a sua batina e são responsáveis por milhares de obras sociais em todo o país. É uma falta de respeito com a maioria desses homens‚ que deixaram sua família‚ e abdicaram de ter uma esposa para servir uma instituição que construiu esse país e que por tais reportagem‚ que deveria focar-se na pedofilia‚ foca-se na destruição da instituição‚ isto é‚ a Igreja. o nível das reportagens apresentadas pelo SBT e pela Record (que faz um jornalismo comprometido com os interesses da igreja Universal)‚ mostra que a imprensa brasileira é irresponsável e tendenciosa quando se trata da Igreja Católica. Um caso de pedofilia‚ para as emissoras de televisão‚ já seria suficiente para prender todos os padres do Brasil.

Tudo bem que mostrem os padres pedófilos e seus superiores que acobertaram os casos‚ mas é incompreensível todo esse interesse em denegrir a instituição como um todo‚ se esta não se posicionasse como inimiga das condutas e posturas adotadas por tais emissoras.

Ora‚ será que não seria um momento oportuno para denegrir uma Igreja que:

1 – É contra o uso de preservativos;

2 – É contra o divórcio;

3 – É a favor do celibato;

4 – É contra a corrupção na política;

5 – É contra o aborto até nas situações mais dificeis;

6 – É contra a eutanásia ;

7 – É contra a manipulação de células tronco embrionárias;

8 – É contra o socialismo;

9 – É contra a ONU nas suas políticas de planejamento familiar;

10 – É contra o uso de anticoncepcionais;

11 – diz ser a única deixada por Cristo;

12 – e ainda diz que fora dela não há salvação?

Poderia ficar a noite toda escrevendo quantos inimigos tem a Igreja. É lógico que seus inimigos aproveitam estes momentos de fragilidade para atacar a Igreja por completo.

A pedofilia acontece nas igrejas‚ nas escolas‚ na internet‚ e principalmente nas famílias. Em 71% dos casos‚ o abusador é o pai ou padrasto‚ segundo a pesquisa realizada pelo núcleo de estudos e pesquisas em psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Então por que as emissoras não fazem uma reportagem para o fim da família? Ou pelo fim das escolas‚ ou pelo fim de todas as igrejas?

Mas quando se trata de Igreja Católica‚ os seus inimigos salivam.

Que os padres pedófilos saim das paróquias e os seminaristas sem vocação saim do seminário‚ pois estes ofuscam o brilho que existe na Igreja Católica que‚ por sinal‚ incomoda muita gente. Mas é certo‚ ela nunca parará de brilhar!

Abaixo a pedofilia! Abaixo os inimigos da Santa Igreja! Viva o Catolicismo!

NOTAS SOBRE A PEDOFILIA NO CLERO

Meu caro Leitor, que bom que durante a Semana Santa e o sagrado Tempo da Páscoa o assunto fosse Jesus, sua salvação, sua bendita e santificante presença nos sacramentos da Igreja, sua amada Esposa.

Mas, não! Estamos às voltas como temas sórdidos, como a pedofilia em membros do clero e a tentativa tão porca quanto a pedofilia de incriminar o Santo Padre e tornar a Igreja como um todo culpada pelos crimes de alguns. Percebo mesmo em certos católicos e pessoas de boa vontade uma confusão muito grande ao tratar deste tema. Sendo assim, coloco aqui alguns esclarecimentos:

1. A origem da onda de notícias sobre pedofilia na Igreja – A atual onda de reportagens sobre este tema é maldosa e artificial. Se alguém examinar com calma verá que se tratam de casos antigos, de vinte, trinta, até quarenta anos atrás. Foram suscitados agora devido a uma reportagem do importante jornal americano anticatólico e inimigo ferrenho do Santo Padre, o New York Times, que pertence a uma família judia hostil à Igreja. Este jornal, de modo desonesto e mentiroso, tomou um antigo caso de um padre que molestou crianças surdas numa escola católica norte-americana. Era um caso já há muito noticiado, julgado e encerrado pela justiça norte-americana. Mas, o que o jornal nova-iorquino dizia de novo? Uma mentira forjada em documentos falsos: que o Papa, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sabia do caso e livrou o padre de ser punido. É verdade isto? Não! Era mentira! O jornal fundou-se, para fazer denúncia tão grave, num documento da Congregação para a Doutrina da Fé, traduzindo do italiano para o inglês com o tradutor automático do Yahoo! Todo mundo sabe que essas traduções são imprecisas e não têm como traduzir termos canônicos. Resultado: deturpou e adulterou o conteúdo do documento! Como pode um jornal de importância mundial fazer uma gravíssima acusação contra o Papa sem averiguar acuradamente suas fontes? Somente o ódio e a má fé podem explicar tal fato! O importante jornal norte-americano Wall Street Journal desmascarou a má fé do New York Times: mostrou claramente a verdade dos fatos: Bento XVI, à época Cardeal Ratzinger, não encobriu nada e, pelo contrário, fez tudo o que tinha que ser feito para que o padre fosse punido. E realmente, o referido Pe. Lawrence Murphy foi punido conforme as leis da Igreja: foi afastado de todo o trabalho pastoral, suspenso e submetido a tratamento psiquiátrico. E olhe que quando o caso chegou às mãos do Cardeal já havia passado quase vinte anos e o padre já era idoso. O caso já tinha sido arquivado pela justiça comum norte-americana! Mas, ao New York Times interessa não a verdade, mas difamar o Papa. E a campanha continuou, tomando casos antigos já conhecidos, em parceria com um advogado norte-americano que se especializou em extorquir dinheiro da Igreja em casos de abusos sexuais, um tal de Jeff Anderson. O que propõe o New York Times? A ordenação de mulheres, a renúncia de Bento XVI, o fim do celibato e a reabilitação do teólogo anti-Ratzinger, Hans Küng... O que temos aqui? Uma verdadeira tropa de laicistas e católicos secularizados, que não suportam o Papa e preferem jogar a Igreja na sarjeta, desde que consiga atingir o Santo Padre! Imediatamente após a notícia tendenciosa e mentirosa do jornal norte-americano, o jornal alemão Der Spiegel, anticatólico até a medula, publicou duas notícias falsas: (1) afirmou que no tempo em que o irmão do Papa, Mons. Georg Ratzinger, era maestro dos meninos do famoso coral da Catedral de Ratisbona, houve casos de pedofilia e o irmão do Papa os encobriu. Qual era o interesse? Atingir o Papa: eis o sobrenome maldito: Ratzinger! Depois, ficou provado que não era verdade: não houve caso algum de abuso de crianças no tempo do Mons. Ratzinger. Então, veio a denúncia de que ele espancava as crianças. Mentira também. O Monsenhor apenas era um mestre severo, como tantos de quarenta, cinquenta anos atrás, e, às vezes, aplicou punições corporais nos meninos, como tantos e tantos bons professores fizeram no passado. Era o método comum de educação da época. Mas, o objetivo do jornal foi atingido: difamar, dar notícia negativa com o nome do Papa, levantar suspeição! (2) O mesmo jornal desonesto afirmou que no tempo em que era Arcebispo de Munique, Ratzinger acobertou um sacerdote pedófilo. E fez o que o New York Times já havia feito: pediu a renúncia do Papa! Logo tudo foi desmentido: o sacerdote aludido foi acolhido sim pelo então Arcebispo Ratzinger, mas sem atividade pastoral alguma, morando na casa paroquial com um outro padre para se submeter a tratamento psicológico. Em todo tempo em que esteve à frente da Arquidiocese de Munique não houve caso algum de abuso sexual por parte de sacerdotes de sua Arquidiocese. É importante ainda recordar quando apareceu a reportagem do New York Times: logo após o Papa ter escrito sua Carta aos católicos irlandeses sobre a questão de pedofilia na Irlanda: é só ler a carta para compreender a linha de ação de Bento XVI: clareza, reconhecimento dos erros dos sacerdotes, demissão do estado clerical, renúncia do Bispo que não soube conduzir a situação! Mas, aos jornais anticatólicos interessa não a verdade, não o trabalho que o Papa tem feito, mas difamá-lo e desautorizá-lo! Aliás, a onda de matérias contra o Papa estourou logo após a sua Carta aos irlandeses, de caso pensado: como o Santo Padre tem forçado a renúncia de todos os Bispos que não puniram padres pedófilos, procura-se incriminar o Santo Padre para depois dizer: renuncia tu também! Aqui o alvo é principalmente o Papa - que fique bem claro! E é contra isto que os católicos e as pessoas de boa vontade mais perspicazes e informadas têm se insurgido! Os casos de pedofilia que existam devem ser extirpados, os padres, demitidos do estado clerical, as vítimas assistidas e reparadas... Mas, atacar exatamente o homem que mais tem combatido a pedofilia no âmbito do clero, é de uma injustiça e desonestidade inaceitáveis!

2. A linha do Papa – É preciso ter presente que desde que era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé a linha do Cardeal Ratzinger nos casos de pedofilia ou imoralidade do clero em geral sempre foi a de tolerância zero: o padre deveria ser demitido do estado clerical! Mas, aqui há um detalhe que muitas vezes as pessoas não recordam: na Igreja existe o Direito Canônico, com suas regras e suas punições. É preciso segui-lo: nenhum cardeal está acima do Direito. Todos estes casos de pedofilia, do ponto de vista da Igreja, têm que ser levados adiante de acordo com as normas do Direito e não na arbitrariedade, caso contrário, entraríamos na injustiça, no arbítrio e na anarquia: bastava uma denúncia sem prova nem fundamento e lá se vai à caça às bruxas! Isto, a Igreja não fará nunca! No entanto, foi por influência de Ratzinger que João Paulo II simplificou o processo para punir os padres pedófilos e o Cardeal nunca perdeu tempo em puni-los! O caso de pedofilia no clero dos EUA explodiu em 2002 e foi então que ficou estabelecida a linha da Tolerância zero. Um exemplo claro da postura de Ratzinger foi o caso do Pe. Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo. Durante o pontificado de João Paulo II havia um processo contra o padre e o Cardeal Ratzinger teve enorme dificuldade de levá-lo adiante, pois alguns cardeais influentes na Cúria não admitiam que o Pe. Maciel fosse culpado. Pensavam que se tratavam de calúnias contra os Legionários, que ainda hoje têm poderosos inimigos dentro e fora da Igreja. Ratzinger, ao contrário, queria o caso investigado a fundo e até o fim, com todas as conseqüências! Assim que foi eleito Papa, Bento XVI mandou desarquivar o processo e puniu o Padre: proibiu-o de aparecer em público, de exercer o sacerdócio publicamente e o confinou numa das casas dos legionários, ordenando que até o fim da vida ele se dedicasse à penitência e ao arrependimento e não mais tivesse nenhuma influência sobre os legionários. E o padre já tinha mais de oitenta anos! Ainda no ano passado determinou uma visita apostólica aos legionários para extirpar qualquer resquício das más ações do Padre Marcial... É importante ainda lembrar que Ratzinger foi o primeiro Papa a falar publicamente dos casos de pedofilia, a pedir desculpas em nome da Igreja e a querer encontrar pessoalmente as vítimas de abuso! Mais ainda: obrigou a todos os Bispos que não enfrentaram essa questão de modo apropriado a renunciar. Só na Irlanda foram cinco! Sua posição é clara: não há lugar para padres pedófilos na Igreja! Sua determinação aos Bispos é transparente: devem ser demitidos do estado clerical. Portanto, nosso Papa é um homem íntegro, claro e decidido no seu modo de proceder.

3. O motivo do ódio a Bento XVI – O ódio da imprensa a Bento XVI é antigo: desde os tempos de Cardeal ele é visto como o inimigo número um de toda cultura relativista e hedonista atual. Pense-se em temas como aborto, casamento gay, eutanásia, ordenação de mulheres, celibato dos padres, adoção de crianças por parte de casais gays, preservativos... Tudo isto fez de Ratzinger e agora de Bento XVI o catalisador da cultura do politicamente correto e do relativismo dominante! De tal modo criou-se por parte de alguns teólogos progressistas e de setores do pensamento laicista um ódio a Ratzinger, que qualquer coisa que ele diga ou faça é deturpada e, depois, duramente criticada! É importante para a cultura ocidental atual desautorizar e desmoralizar a Igreja, pois ela é a instituição que mais se opõe e de modo mais forte e articulado, ao pensamento dominante atual. E qual o melhor modo de desautorizar a Igreja? Desmoralizando o Papa! Baste recordar o que já deformaram e difamaram em relação ao Papa: o discurso de Ratisbona e a confusão com os muçulmanos, provocada pela BBC (que é dominada pelas organizações gays), a suspensão da excomunhão dos bispos lefebvrianos, a liberação da missa de São Pio V e a oração pelos judeus, a declaração do Papa sobre os preservativos na África... Todas as decisões e palavras do Papa são interpretadas de modo desonesto e jogadas ao público de modo truncado para tornarem o Santo Padre odioso. E, infelizmente, há gente na Igreja, a começar pelo famigerado “teólogo” Hans Küng que promove e apóia esse programa de perseguição ao Papa.

4. A Igreja e a pedofilia – Primeiramente é necessário deixar claro que nem de longe a pedofilia é um problema inerente à Igreja católica. Hoje se sabe que essa chaga está presente no mundo inteiro, em todas as culturas e mesmo entre os ministros de todas as religiões. Mais ainda: os abusos de crianças acontecem sobretudo no seio da família, por parte do pai, do padrasto ou de tios... Estudos sérios dão conta que nas escolas, nas várias religiões, nas famílias este triste fenômeno está presente. Os abusos sexuais e físicos em relação às crianças e jovens são uma chaga mundial, desde a bolinação até o estupro puro e simples e a prostituição. Só nos EUA os estudos indicam que há trinta e nove milhões de jovens que sofreram abuso sexual! É um número estarrecedor! 6 a 10% dos jovens das escolas públicas norte-americanas sofreram abuso sexual entre 1991 e 2000, isto é cerca de 290 mil jovens! Segundo estudos recentes 2% desses molestadores eram do clero católico. A partir do ano 2002, com a linha dura assumida pela Igreja, graças a Deus esse número despencou absolutamente! Mas por que todo o furor contra a Igreja católica? Por que somente ela aparece, como o epicentro da pedofilia, como uma organização criminosa que protege pedófilos? Eis os motivos fundamentais: (1) A questão é política: é necessário tirar a todo custo a Igreja do debate político mundial! Sua posição é incômoda demais e ela tem força internacional! Em temas ligados à vida e à família a posição da Igreja incomoda muito e a faz odiada por vários grupos dominantes de nossa atual cultura. (2) Para isso, aproveitam-se de erros do passado: até cerca de dez anos atrás, houve pouca vigilância de vários Bispos no trato da questão da pedofilia. Os motivos? Ei-los: um triste espírito de corporativismo em certos setores do clero, falta de responsabilidade pastoral, ingênua esperança de curar os pedófilos com psicoterapia, a crise de vocações, que levou Bispos a cair na tentação de manter no ministério padres indignos, a crise de fé e o relativismo moral e teológico que tomou conta de muitos corações! Esta é a culpa de setores da Igreja. Uma culpa que todos nós católicos deploramos e pela qual nos envergonhamos, porque as vítimas foram os mais fracos e indefesos, aqueles que são preferidos de Cristo, aqueles pelos quais a própria Igreja sempre lutou, aqueles que nos foram confiados por tantos pais e mães católicos! Disso o Papa já falou claramente. Nos Estados Unidos, emocionado, ele não disse às vítimas “É uma vergonha!”, mas “Eu tenho vergonha!”. É o sentimento de todos nós e aqui não queremos em nada diminuir a gravidade e a culpa de quem fez isso, inclusive jogando na lama o nome da Santa Igreja de Cristo! É preciso deixar claro que os abusos sexuais na Igreja são fruto de uma crise de fé: os padres que vivem autenticamente seu sacerdócio não molestam crianças, os Bispos que levam a sério o cuidado do rebanho protegem os jovens e, mesmo que doa, não hesitam em demitir do estado clerical aqueles que desonram de modo grave o sacerdócio! Pois bem, este erro do passado foi aproveitado pelos inimigos da Igreja para voltarem sempre ao ponto, requentando e reintroduzindo as mesmas acusações, ainda que as escolas católicas continuem o lugar mais seguro para crianças e jovens, seja nos Estados Unidos seja pelo mundo a fora! Disso ninguém tenha dúvida! Nos últimos nove anos, nenhuma outra instituição manteve uma atitude de tanta transparência quanto aos próprios erros na área da pedofilia quanto a Igreja católica e nenhuma outra empregou tantos esforços para remediar o problema. Demorou sim para tomar uma atitude, mas, graças a Deus a tomou! Mas, nada disso é publicado, porque aqui não interessa a verdade, mas o escândalo fabricado para difamar, para calar a Igreja, para tornar sua voz absolutamente insignificante. Deseja-se criar sobre a Igreja e sobre Bento XVI a mesma lenda negra que se criou sobre Pio XII! Depois de criada, pronto! A coisa está feita! E é muito triste que até certos católicos caem nesse jogo porco!

5. A pedofilia, o celibato e a ordenação de mulheres – Num escândalo artificialmente colocado, com objetivos bem determinados, é claro que não faltam as bandeiras ideológicas. E também aqui, alguns católicos escorregam, coitados, caindo em certas argumentações da mídia! Primeiro, o celibato: o culpado pela pedofilia, além do Papa, é o celibato - assim dizem os inimigos da Igreja! Claro que não é verdade! É só perguntar a qualquer especialista. O pedófilo não é alguém apto ao casamento e há muitos casados que são pedófilos! A questão é que o mundo jamais aceitará ou compreenderá o celibato! Disso já estamos cansados de saber! No entanto, a Igreja não está colocando o celibato em discussão nem colocará: os padres continuarão celibatários! Existem padres infieis ao celibato? Existem! Como existem esposos infieis ao matrimônio! A questão aqui é a velha fraqueza humana, pela qual Cristo veio ao mundo: para curá-la, redimi-la, extirpar seus maléficos efeitos! A solução é acabar com o celibato? É acabar com o matrimônio indissolúvel e monogâmico? A solução é deixar de pregar a castidade? Não! A solução é educar melhor segundo o Evangelho, é acompanhar melhor e mais atentamente nossos jovens candidatos ao sacerdócio e dar-lhes melhor a mística do celibato por amor a Cristo e ao Reino dos céus! Só este é o caminho autêntico! Quanto à ordenação de mulheres, defendida pelos liberais mais assanhados dentro e fora da Igreja, de modo algum é solução para pedofilia e não tem nada a ver com a questão. Depois, é doutrina de fé da Igreja católica que, por vontade do próprio Senhor Jesus, somente os homens podem ser sacerdotes. Tal doutrina é definitiva e não poderá nunca ser mudada, por motivo ou pretexto algum.

6. A punição dos pedófilos – No caso de um padre que cometa ato de pedofilia é necessário compreender uma coisa: à Igreja cabe instaurar processo canônico, seguindo todos os trâmites previstos pela lei canônica. Cabe ao Bispo diocesano fazer isto e só a ele! E ele não deve hesitar em fazê-lo sob pena de omissão grave! Ficando provado que se trata de pedofilia, envia-se à Santa Sé e o sacerdote é demitido do estado clerical imediatamente. Claro que, por prudência, o Bispo já deve logo afastar o sacerdote do contato com o serviço pastoral. Quanto à dimensão do crime propriamente dito, cabe à justiça civil investigar e julgar quem cometeu tal delito. Bento XVI sempre deixou claro que os Bispos devem colaborar com a justiça quando solicitados. O que não se pode é sair condenando pessoas mediante acusações levianas ou sem prova. O Bispo deve guiar-se pelo bom senso: buscar a justiça e o bem do rebanho sem ceder à paranóia de caça às bruxas.

7. Quanto às vítimas da pedofilia – A Igreja tem o dever moral de dar-lhes toda a assistência necessária e a primeira delas é fazer-lhes justiça não encobrindo quem tenha cometido tais atos nem tolerando sacerdotes que sejam pedófilos!

Quis escrever este longo texto para servir de reflexão e orientação para você, que me honra com sua visita a este Blog. Fico muito triste quando vejo católicos deixarem-se guiar pela pauta da mídia e simplesmente engolir tudo quanto é colocado sem critério nem discernimento. Imagine, por exemplo: que interesse tem a Rede Record do Edir Macedo pela verdade? Particularmente quando se trata da Igreja, como essa emissora coloca as coisas? Que senso ético tem a "Igreja" Universal, que controla a Record? E a Globo, que é espírita? Não culpo a imprensa de modo indiscriminado. Ela tem o direito e o dever de investigar, e isto quando se trate de qualquer instituição, inclusive da Igreja. O que entristece, chateia e até revolta são a injustiça e a difamação – e nós sabemos que a grande tentação da imprensa é o sensacionalismo, ainda que se passe por cima da verdade e da boa fama de pessoas inocentes. Bento XVI que o diga.

Feitas estas considerações, não mais darei explicações sobre a questão da pedofilia neste Blog. Basta! Tenho coisas mais reais e sérias a tratar! Rezemos pela Igreja! E que os Bispos que tenham casos de sacerdotes pedófilos tomem as devidas providências! E que a pedofilia seja combatida sempre em todos os ambientes onde se manifesta – e não é, nem de longe, principalmente na Igreja. Aliás, o grande problema da Igreja do Brasil nunca foi a pedofilia...


Por Dom Henrique Soares

fonte: http://costa_hs.blog.uol.com.br/

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Muito mais que pedofilia


As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca... A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de S.Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.

As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.

O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.

Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!

Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?

As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse S.Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!

A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.

E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.

Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!

Card. Odilo Pedro Scherer

O escândalo da pedofilia


Está tendo ampla repercussão a divulgação de casos de pedofilia, envolvendo membros do clero da Igreja Católica. O assunto merece ser analisado com cuidado, para perceber com objetividade sua dimensão, e distinguir os dados verdadeiros, da exploração que deles se faz com o intento de denegrir a imagem da Igreja, universalizando para toda a instituição o que se constitui em erros pessoais, de todo condenáveis, mas que não podem ser imputados como se fossem de autoria de toda a Igreja.

Em primeiro lugar, a própria Igreja se antecipa em reconhecer e em confessar a gravidade da situação, admitindo inclusive que houve culpa por falta de vigilância em coibir abusos, permitindo que padres pedófilos continuassem exercendo o ministério, favorecendo assim a continuidade dos delitos.

Independente da quantidade de casos constatados, mesmo que fosse um só, merece a clara condenação de todos, e se praticado por algum membro do clero católico, o reconhecimento de quanto isto depõe contra a imagem da Igreja.

Em recente carta à Igreja da Irlanda, onde foram constatados diversos casos de pedofilia praticada por padres católicos, o Papa Bento 16 faz uma dura advertência à hierarquia da Igreja daquele país, para que redobre a vigilância, e afaste do ministério todos os envolvidos na prática da pedofilia.

Se há uma conseqüência positiva, decorrente da discussão levantada no mundo inteiro em torno da pedofilia, é o crescimento da consciência da criminalidade dos atos de abusos sexuais praticados com crianças. Eles se constituem em crimes, que precisam ser denunciados, e devem ser condenados, com responsabilização adequada de todos os que incorrem em alguma responsabilidade por seu cometimento.

As crianças têm o direito de serem preservadas das distorções sexuais dos adultos, sejam eles quem forem. Esta consciência da necessidade de preservar as crianças da maldade dos adultos precisa avançar muito mais. É toda a sociedade que precisa estar atenta para preservar a inocência das crianças. Nisto toda a sociedade tem culpa em cartório. Se fosse usado o mesmo rigor com que agora se aponta para os padres pedófilos, quantas situações precisariam ser denunciadas, nas famílias, na sociedade, sobretudo nos meios de comunicação social, onde não despertou ainda a consciência dos prejuízos causados às crianças pelas situações a que elas ficam expostas.

Mas no que se refere diretamente à pedofilia, seria muita hipocrisia achar que ela se limita aos casos praticados por padres católicos. Existe inclusive uma evidente campanha, levada adiante por pessoas interessadas em denegrir a imagem da Igreja Católica, que está se aproveitando desta situação para tornar ainda mais virulentas as acusações contra ela. Por isto, no Brasil não é nada de estranhar que uma conhecida rede de televisão se esmere agora em ampliar o que é sua razão de ser: acusar continuamente a Igreja Católica, usando para isto todos os meios de que dispõe.

Neste sentido, sem fazer dos números uma desculpa, é importante olhar os dados com objetividade. O Professor Carlos Alberto di Franco, Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra ( difranco@iics.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) , traz a seguinte constatação: desde 1995, na Alemanha, houve 210.000 denúncias de abusos de pedofilia. Destas denúncias, só trezentas se referem a padres católicos. Isto é, só 0.2% por cento do total. E por que só se insiste em falar da Igreja, tentando inclusive envolver o Papa, acusando-o de responsabilidade por ter aceito um padre pedófilo na sua diocese, no tempo em que era arcebispo de Munique? Por que não se fala dos outros 99,98 por cento dos casos?

Se olhamos o clero do Brasil, em sua imensa maioria constituído de beneméritos ministros devotados à sua missão, com os limites humanos de que todos somos revestidos, a proporção é certamente parecida com a análise apresentada pelo Prof. Di Franco. Os raros casos de pedofilia constatados no clero brasileiro, por mais deploráveis que sejam, não justificam a hipócrita escandalização, levada em frente por meios de comunicação que trazem evidente a marca da tendenciosidade, que fica desmascarada à luz de qualquer dado objetivo.

A Igreja Católica está disposta a uma severa autocrítica de sua própria instituição, diante dos casos reais de pedofilia praticada por membros do seu clero. Ela aceita de bom grado os questionamentos objetivos que podem ser feitos pela sociedade. Mas ela dispensa a hipocrisia de quem generaliza as acusações, escondendo seus interesses escusos, e desvirtuando uma análise objetiva do problema da pedofilia.
Dom Luiz Demétrio Valentini

Vaticano admite denúncias de abuso sexual no Brasil

CIDADE DO VATICANO (AFP) - O Vaticano reconheceu, nesta terça-feira, a existência de denúncias de abuso sexual de menores no Brasil, admitindo que três sacerdotes brasileiros são suspeitos de molestar menores e, por isso, são investigados pelas autoridades e pela instituição. "Eram padres", afirmou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, ao se referir às informações divulgadas no programa de televisão do canal SBT "Conexão Repórter" no qual vários coroinhas relatam casos de abusos por parte de "dois monsenhores e um sacerdote".